
BOI DE MORROS
49 ANOS



ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR
Cinco décadas se passaram. Cinquenta anos de uma história linda, feita por sonhos, ideais, feita por gente. Da Escola Normal até os dias atuais ele inventou e se reinventou, tudo para engrandecer nosso orgulho de ser maranhense. O boi pioneiro em colocar mulheres no cordão de fita. O boi que se tornou a alegria dos estudantes e de toda uma comunidade. O boi que se tornou o sonho realizado de um homem e dominou o sotaque de orquestra. O boi das diretas. O boi que feliz buscou seu espaço e que não menos feliz cantou sua terra e sua gente. O boi da Abolição, dos direitos da mulher e da preservação da natureza. O boi que profetizou a conquista de novos mundos e novas culturas.
Abriu horizontes para caminhos antes inimagináveis, criando um paraíso novo para nossa cultura. O boi que buscou o Reino de Deus para abranger toda a terra. O boi que movimentou este mundo com a força maior: O amor. O boi que passado 50 anos agradece ao Pai Criador, artífice do universo, Senhor da Vida da Festa e da dança proclamando: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR.
Uma das maiores manifestações artísticas e folclóricas do nosso estado do Maranhão, o Boi de Morros nasceu no Município de Morros, localizado há aproximadamente 101.28 km da capital do Estado, São Luis. Um grupo plantado por um sonho, regado com delicadeza, que floriu e frutificou bons frutos. Desde 1976, passou por barreiras que ficaram nas memórias do passado e deram força para caminhar diante o horizonte que surgia à frente.
Em 2016 completa 40 anos de história. Lutas, noites mal dormidas, cansaço, correria extrema, tudo recompensado em sorrisos cativantes, abraços acolhedores e mensagens de carinho. Acumulou durante o percurso um público enorme que nos bastidores desejam sucesso, agradecem pela mensagem de paz e amor ao próximo, falam do que sentem ao ouvir e ver a alegria em nosso brincantes e sempre perguntam o que nos apaixona ouvir "quando irão voltar?".
Cultivando a tradição da cultura popular maranhense, o Bumba-meu-boi de Morros completa 40 anos em 2016. Até ser conhecido como Boi de Morros, foi denominado Pioneiro Estudantil, Alegria dos estudantes, Sonho realizado e Dominador e no seu último ano na direção de José Hugo Lobato foi denominado de GLORISOSO. Suas indumentárias foram nas cores azul e amarelo.
A trajetória do Boi de Morros sugere uma história composta de três fases: uma concepção pedagógica, uma concepção popular, uma concepção massiva. Na primeira fase (1979-1997), o Boi nasce como uma ação pedagógica dentro da Escola Normal de Morros com o objetivo de resgatar a tradição desse folguedo na região do Munim.
Em sua segunda fase (1980-1981) a organização do Boi é assumida por um entusiasta homem do povo, José Hugo Lobato e, que aos poucos vai cativando sua esposa Maria Izabel para aderir à coordenação do bumba-meu-boi. Nesta fase o Boi sai de um espaço educacional e se aventura por um contexto local, de Morros e suas imediações, com fortes características de uma brincadeira e expressão populares.
A terceira fase (1983 até os dias atuais), pode ser caracterizada como um boi familiar uma vez que foi assumido pela família Muniz Lobato. Com o falecimento de José Hugo Lobato em 1981, a administração do Boi de Morros ficou aos cuidados de Maria Izabel e de um dos filhos do casal, José Carlos Lobato, nessa época, com 24 anos. José Carlos admite que naquela altura não apreciava o bumbameu-boi e por diversas vezes chegou a chamar a atenção do pai por se dedicar à brincadeira colocando em risco a própria saúde.
É interessante perceber que, com o falecimento de José Hugo Lobato, assumiram a coordenação do Boi de Morros exatamente aqueles membros da família que inicialmente tinham pouca afeição a essa expressão cultural. Isto pode ser entendido a partir de um contexto mais amplo e complexo.
O Boi de Morros não se apresenta em 1982 uma vez que se encontrava de luto pelo falecimento de José Hugo Lobato.

